De acordo com professor da Afya Palmas, queda do estrogênio durante a menopausa altera o metabolismo e pode elevar o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares nas mulheres
O climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, marca mudanças importantes não apenas hormonais, mas também na saúde cardiovascular. Segundo o cardiologista e docente do curso de pós-graduação em cardiologia da Afya Educação Médica de Palmas, Neylon Amorin, a queda dos níveis de estrogênio durante essa fase reduz uma proteção natural do organismo feminino, elevando significativamente o risco de doenças do coração. A menopausa, considerada o marco final desse processo e confirmada após 12 meses sem menstruação, representa uma virada importante para o funcionamento do sistema cardiovascular.
“O estrogênio atua como um potente protetor vascular. Ele ajuda a manter as artérias mais flexíveis, favorece a vasodilatação, auxilia no controle do colesterol e possui ação anti-inflamatória”, explica Amorin. “Quando esse hormônio diminui, a mulher perde parte dessa proteção natural, e o risco cardiovascular, que antes era menor do que o dos homens, passa a se igualar e, em alguns casos, até superá-lo”, afirma.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos óbitos femininos, especialmente após a menopausa.
Alterações hormonais e impactos no metabolismo
Segundo o especialista, a queda hormonal desencadeia uma série de alterações metabólicas que impactam diretamente o coração. “Observamos aumento do LDL, o colesterol ‘ruim’, redução do HDL, o colesterol ‘bom’, e elevação dos triglicerídeos”, afirma. “Além disso, ocorre maior rigidez das artérias, aumento da pressão arterial, maior resistência à insulina — o que amplia o risco de diabetes tipo 2 — e uma redistribuição da gordura corporal para a região abdominal”, esclarece.
De acordo com o cardiologista, essa gordura visceral é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Fatores que aumentam o risco cardiovascular
Embora todas as mulheres devam manter acompanhamento médico nessa fase, algumas apresentam risco ainda maior. “Mulheres que tiveram menopausa precoce, antes dos 40 ou 45 anos, ficam mais tempo expostas à ausência do estrogênio, o que aumenta a vulnerabilidade cardiovascular”, explica. Ele acrescenta que histórico de complicações na gestação, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou parto prematuro, também pode indicar um risco cardíaco latente que costuma se manifestar no climatério.
Fatores tradicionais, como tabagismo, sedentarismo, diabetes e histórico familiar de infarto, reforçam ainda mais a necessidade de atenção. “O cigarro agride diretamente as artérias e pode antecipar a menopausa, ampliando o tempo de exposição ao risco cardiovascular”, alerta.
Sintomas podem ser diferentes nas mulheres
Outro ponto de atenção é que o infarto em mulheres nem sempre apresenta os sintomas clássicos amplamente conhecidos. “Nem sempre aparece aquela dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo. Muitas vezes os sinais são mais sutis, como cansaço extremo e repentino, falta de ar em pequenos esforços, desconforto na mandíbula, no pescoço ou nas costas, além de náuseas, tonturas ou suor frio”, explica Amorin. Segundo ele, esses sintomas frequentemente são confundidos com ansiedade, estresse ou problemas digestivos.
“Episódios de queimação na região do estômago, muitas vezes tratados como refluxo ou gastrite, podem, na verdade, indicar sofrimento cardíaco, especialmente quando vêm acompanhados de falta de ar ou sudorese”, acrescenta.
Prevenção e acompanhamento médico são fundamentais
A recomendação médica é que a prevenção comece antes do surgimento dos sintomas. “A partir dos 40 anos, além do acompanhamento ginecológico, a avaliação cardiológica periódica torna-se fundamental para monitorar colesterol, glicemia e pressão arterial e identificar precocemente alterações no coração”, orienta.
Mudanças no estilo de vida continuam sendo a principal estratégia de proteção. “Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade e abandono do tabagismo são medidas comprovadamente eficazes na redução do risco cardiovascular. Parar de fumar, isoladamente, é uma das ações com maior impacto na prevenção”, destaca.
O especialista reforça que sinais como dor ou desconforto novo na região acima do umbigo, falta de ar súbita, desmaio ou palpitações persistentes devem ser avaliados imediatamente. “É sempre melhor descartar um problema cardíaco do que ignorar um sinal que pode salvar a vida. Cuidar do coração no climatério não é apenas viver mais, mas viver essa fase com qualidade, saúde e vitalidade”, conclui.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar.
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