Dor intensa, sensibilidade à luz, enjoo e dificuldade para realizar atividades simples fazem parte da rotina de milhões de pessoas que convivem com crises frequentes de cefaleia. Apesar disso, muita gente ainda trata o problema como algo passageiro e acaba adiando a procura por avaliação especializada.
No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, o neurologista da Rede Medical, Ray Almeida da Silva Rocha, que atua na área de cefaleias, alerta que quadros recorrentes não devem ser considerados normais.
“A cefaleia merece investigação quando passa a ser recorrente, progressiva, mais intensa que o habitual ou começa a interferir na rotina. Em geral, dor de cabeça ocorrendo mais de quatro dias por mês, especialmente se incapacitante, já merece avaliação”, explica.
Segundo o médico, um dos erros mais comuns é recorrer frequentemente à automedicação sem investigar a causa das crises. O uso excessivo de analgésicos pode favorecer a cronificação do quadro e transformar episódios esporádicos em um problema quase diário.
Entre os tipos mais comuns estão a cefaleia tensional e a enxaqueca, considerada atualmente uma das doenças neurológicas mais incapacitantes do mundo. Diferente das manifestações mais leves e passageiras, a enxaqueca costuma provocar dor pulsátil, moderada ou intensa, além de sintomas como náuseas e sensibilidade à luz, ao som e a odores.
Rotina acelerada favorece aumento das crises
Privação de sono, ansiedade, estresse crônico, excesso de cafeína, sedentarismo e longos períodos em frente às telas estão entre os principais fatores associados ao aumento das crises.
“O estilo de vida atual favorece episódios mais frequentes, principalmente em pessoas predispostas à enxaqueca”, destaca o especialista.
A alimentação também pode influenciar, embora os gatilhos variem entre os pacientes. Jejum prolongado, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados, embutidos e excesso de cafeína estão entre os fatores mais relatados nos consultórios.
Além dos hábitos do dia a dia, alguns sinais exigem atenção imediata, como dor súbita e muito intensa, febre associada, confusão mental, convulsões, alterações visuais persistentes e sintomas neurológicos.
Tratamentos e prevenção
Os tratamentos para cefaleia passaram por avanços importantes nos últimos anos, especialmente no controle da enxaqueca. Hoje existem terapias mais específicas e abordagens individualizadas que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Além do tratamento medicamentoso, mudanças simples na rotina também fazem diferença na prevenção das crises. Sono regular, hidratação adequada, alimentação equilibrada, prática de atividade física e redução do uso excessivo de analgésicos estão entre as principais orientações.
“Dor de cabeça frequente não é normal. A cefaleia tem tratamento e a enxaqueca é uma doença neurológica real, potencialmente incapacitante, mas hoje muito mais tratável do que há alguns anos”, conclui Ray Almeida da Silva Rocha










