Entre riquezas e abandono, sudeste do Tocantins cobra espaço nas decisões sobre o futuro do Estado

Território concentra algumas das principais vocações econômicas do Tocantins, mas convive com baixos indicadores sociais, evasão escolar e dificuldades históricas de acesso a serviços públicos

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Há uma contradição que acompanha o sudeste do Tocantins há décadas. Poucas regiões do Estado concentram tamanha diversidade econômica em um único território. A mineração de ouro e calcário movimenta investimentos. O agronegócio amplia sua presença em diferentes municípios. A agricultura familiar sustenta centenas de famílias. O turismo encontra espaço em cidades históricas, cachoeiras e paisagens naturais. A aquicultura e a produção de hortifrutigranjeiros fortalecem uma economia marcada pela diversidade produtiva.

Apesar dessa vocação econômica, os indicadores sociais revelam uma realidade bem diferente. O sudeste tocantinense registra alguns dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, enfrenta elevados índices de evasão escolar e ainda convive com um rótulo que há anos incomoda moradores e lideranças locais, que é o de ser tratado como o chamado "corredor da miséria".

A expressão tornou-se símbolo de uma percepção que muitos consideram incompatível com o potencial existente na região. Para quem vive nos municípios do sudeste, permanece a sensação de que o território gera riquezas, mas não participa, na mesma proporção, das decisões que influenciam seu destino.

Essa distância entre potencial econômico e desenvolvimento social aparece de forma concreta na rotina da população.

*Cenário*

Na saúde pública, moradores percorrem centenas de quilômetros para realizar consultas, exames e tratamentos especializados. Em muitos casos, o atendimento depende de deslocamentos para Palmas ou Gurupi. Para pacientes que realizam hemodiálise, a situação é ainda mais desgastante. Horas dentro de ambulâncias se tornam parte da rotina, reduzindo o tempo de convivência familiar e evidenciando as dificuldades enfrentadas por quem vive distante dos principais centros de atendimento.

Na educação, o cenário também preocupa. Muitos jovens deixam suas cidades para estudar ou buscar oportunidades profissionais em outras regiões. Parte deles não retorna. O resultado é um território que vê sua juventude partir justamente quando mais necessita de mão de obra qualificada para transformar suas vocações econômicas em desenvolvimento sustentável.

É nesse contexto que ganha força um debate cada vez mais presente entre prefeitos, empresários, produtores rurais e representantes da sociedade civil, que é a necessidade de ampliar a representatividade política do sudeste tocantinense.

Entre os defensores dessa discussão está Cesinha, que construiu sua trajetória pública entre o Legislativo, o Executivo Municipal e a gestão federal. Vereador por dois mandatos, prefeito de Lavandeira por duas gestões e ex-superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no Tocantins, ele defende que os desafios históricos da região não decorrem da ausência de potencialidades, mas da dificuldade de transformar essas vocações em oportunidades concretas para a população.

*Desenvolvimento*

Segundo ele, o desenvolvimento regional passa pelo fortalecimento das atividades que já fazem parte da identidade econômica do território, como a agricultura familiar, a agroindústria, a fruticultura, a aquicultura, o turismo e a mineração. “A região já possui os elementos necessários para crescer. O que falta é conectar essas vocações a uma estratégia capaz de gerar emprego, renda e perspectivas para quem vive aqui”, afirma.

A proposta defendida por Cesinha parte da integração entre educação, qualificação profissional e setor produtivo. A ideia é preparar jovens e trabalhadores para atuar nas cadeias econômicas já presentes nos municípios, agregando valor à produção local e ampliando as oportunidades de geração de renda.

“Não podemos continuar exportando talentos e importando oportunidades. Precisamos criar condições para que os jovens construam seus projetos de vida aqui, perto de suas famílias, contribuindo para o crescimento dos próprios municípios”, afirma.

A discussão em torno do futuro do sudeste do Tocantins ultrapassa calendários eleitorais e interesses partidários. No centro desse debate está uma pergunta que acompanha a região há anos: como transformar seu potencial econômico em desenvolvimento social capaz de melhorar a vida da população?

Entre serras, lavouras, rios, áreas de mineração, cidades históricas e pequenas propriedades rurais, cresce a convicção de que o território não pode mais ser lembrado apenas por suas dificuldades. “A reivindicação que emerge dos municípios é por protagonismo, maior presença nos espaços de decisão e participação efetiva na definição das políticas públicas que impactam o desenvolvimento regional. Ou seja, depois de décadas marcado pela escassez e pelo atraso, o sudeste do Tocantins busca afirmar uma identidade baseada na produção, no empreendedorismo e na geração de oportunidades. Nós reivindicamos um espaço compatível com sua importância econômica, histórica e social”, sustenta Cesinha.