Cuba, inferno no paraíso

Numa ilha de praias paradisíacas e cultura riquíssima, a população padece um sofrimento de décadas que se agravou desde o inicio deste ano.

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 Em Cuba, a escassez de recursos, principalmente energéticos, vem se agravando. Enquanto Trump ameaça intervir na ilha como fez na Venezuela, o bloqueio imposto por ele alavancou a crise e atinge mulheres a partir daquilo que lhes falta todos os dias. ⁠

Segundo dados do Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH), 89% das famílias em Cuba vivem em pobreza extrema. A falta de recursos que já vinha se agravando na ilha desde a pandemia, piorou dramaticamente com o novo bloqueio imposto pelos EUA em janeiro deste ano, a mando de Trump. A medida passou a dificultar ainda mais a chegada de combustível, alimentos e outros tipos de abastecimento à ilha socialista. Há três meses, os cubanos deixaram de receber até mesmo os poucos alimentos básicos que ainda eram distribuídos pelo governo. Nesse contexto, a falta de eletricidade se soma à escassez de água, alimentos, medicamentos e itens de higiene. As mulheres da ilha, para além da falta de dignidade menstrual, afirmam: “aqui não há dignidade de nada. De comida, de luz, de moradia. Não há dignidade de vida. Como vai ter dignidade menstrual?”. Elas falam sobre algo mais difícil de nomear: a perda do que entendem por “ser mulher”. “Faz anos que não sei o que é me arrumar, passar um esmalte, um batom, arrumar meu cabelo. Faz meses que lavamos o cabelo com o mesmo sabão que usamos para lavar roupa”.