A distância entre o paciente e o atendimento especializado permanece como um dos principais desafios da saúde pública no sudeste do Tocantins. Embora a região apresente cobertura considerada satisfatória na atenção básica, a oferta limitada de especialistas, a concentração de serviços em poucos municípios e as fragilidades da rede de média e alta complexidade mantêm parte da população dependente de deslocamentos para consultas, exames e tratamentos.
O cenário foi identificado em estudo da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), que analisou a estrutura da rede pública de saúde na região. A pesquisa aponta a existência de vazios assistenciais que comprometem a regionalização dos serviços e ampliam a dependência de municípios-polo para procedimentos especializados.
De acordo com o levantamento, a atenção primária apresenta indicadores compatíveis com os parâmetros estabelecidos para o setor. A situação, contudo, muda quando o paciente necessita de atendimento especializado. Serviços, equipamentos e profissionais concentram-se principalmente em municípios como Dianópolis e Arraias, enquanto outras cidades enfrentam dificuldades para garantir acesso regular a consultas especializadas, exames diagnósticos e procedimentos de maior complexidade.
Como consequência, pacientes precisam recorrer com frequência ao deslocamento para outras localidades em busca de atendimento. O estudo aponta ainda que a limitação da capacidade instalada da rede especializada aumenta a dependência de transferências entre municípios e eleva os custos operacionais do sistema de saúde.
Para Cesinha, a discussão sobre a saúde na região exige uma análise que vai além da infraestrutura física das unidades de atendimento. “A população precisa ter acesso aos serviços de saúde no momento em que necessita deles. Muitas famílias ainda enfrentam longas viagens para realizar consultas, exames ou procedimentos que deveriam estar mais próximos da sua realidade”, afirma.
A dificuldade para atrair e manter profissionais especializados também aparece entre os desafios enfrentados pelos municípios de menor porte. A escassez de especialistas impacta diretamente a capacidade de resposta da rede pública, contribui para o aumento das filas de espera e amplia a pressão sobre as unidades que funcionam como referência regional.
Também conforme a pesquisa, especialistas em gestão pública e saúde coletiva apontam que o fortalecimento da regionalização depende de investimentos em estrutura, ampliação da oferta de profissionais e integração entre os municípios. Sem esses elementos, a atenção básica tende a absorver demandas que exigem atendimento especializado, comprometendo a eficiência do sistema.
Na visão de Cesinha, a construção de soluções para o problema passa pelo fortalecimento da rede regional e pela ampliação da capacidade de atendimento nos municípios estratégicos da região.
“É preciso planejar a saúde de forma integrada, considerando as particularidades do sudeste do Tocantins. O fortalecimento da rede regional pode reduzir deslocamentos, ampliar o acesso aos serviços e oferecer mais qualidade no atendimento à população”, diz.









