Quando partir deixa de ser uma escolha

Mesmo com potencial econômico em setores como agronegócio e mineração, a escassez de empregos qualificados faz jovens deixarem o sudeste do Tocantins enquanto oportunidades e desenvolvimento permanecem distantes de quem nasceu na região

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Concluir o ensino médio deveria representar o início de novos caminhos. Para milhares de jovens do sudeste do Tocantins, porém, esse momento costuma marcar uma despedida. Sem perspectivas de emprego, acesso limitado à educação profissional e poucas oportunidades de crescimento, muitos deixam suas cidades em direção a Palmas, Gurupi, Brasília, Goiânia e outros centros urbanos na tentativa de construir o futuro que não conseguem enxergar onde nasceram.

O movimento ocorre em uma região que reúne riquezas naturais, vocação para o agronegócio, agricultura familiar, turismo e mineração. Apesar desse potencial econômico, boa parte dos municípios ainda enfrenta dificuldades para transformar essas atividades em oportunidades permanentes de emprego e renda para a população local, especialmente para os mais jovens.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o Tocantins encerrou 2025 com saldo positivo de mais de sete mil empregos formais. Entretanto, a maior parte dessas vagas permanece concentrada em polos como Palmas, Araguaína, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, onde há maior diversificação econômica e oferta de serviços especializados. Nos municípios do sudeste tocantinense, as oportunidades continuam restritas e insuficientes para absorver a mão de obra que chega todos os anos ao mercado.

A dificuldade não está somente na oferta de empregos. O acesso ao ensino técnico e superior também representa um obstáculo para milhares de famílias. Em muitos municípios, os estudantes precisam percorrer longas distâncias ou mudar de cidade para cursar uma graduação ou uma formação profissional. Para quem possui menor renda, essa realidade frequentemente significa interromper os estudos ou deixar definitivamente a cidade de origem.

A contradição se torna ainda mais evidente quando se observa o potencial produtivo da região. O sudeste do Tocantins concentra um dos principais polos minerais do Estado, com forte presença da atividade de extração de calcário e outros minerais utilizados pela construção civil, pela agricultura e pela indústria. O setor movimenta a economia regional e demanda profissionais qualificados em diferentes áreas.

Ao mesmo tempo, lideranças locais apontam que a escassez de mão de obra especializada continua sendo um desafio para o desenvolvimento econômico. Enquanto jovens deixam a região em busca de oportunidades e qualificação, setores produtivos convivem com dificuldades para encontrar profissionais preparados para atender às necessidades do mercado. O resultado é um descompasso entre a formação oferecida, as oportunidades existentes e o potencial econômico do próprio território.

O impacto desse processo vai muito além das estatísticas. Cada jovem que parte representa menos profissionais qualificados, menos empreendedores, menos inovação e menor capacidade de atrair novos investimentos. No entanto, se forma-se um ciclo difícil de romper, ou seja, a falta de oportunidades incentiva a migração, e a saída dessa população reduz a capacidade de desenvolvimento das cidades, tornando ainda mais difícil gerar novos empregos.

Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os jovens são o grupo que mais migra internamente no Brasil, principalmente em busca de trabalho e acesso à educação. Em regiões onde a economia permanece concentrada em poucos setores e a oferta de qualificação profissional é limitada, esse movimento tende a ser ainda mais intenso.

Para o pré-candidato César, ex-prefeito de Lavandeira, essa realidade precisa deixar de ser tratada como consequência natural do desenvolvimento e passar a ocupar o centro das políticas públicas voltadas ao interior do Estado. "Não é falta de capacidade. Os nossos jovens têm talento, disposição para trabalhar e vontade de crescer. O que falta são oportunidades para transformar esse potencial em desenvolvimento. Quando um jovem vai embora porque não encontra perspectivas, toda a região perde. Perdemos inteligência, mão de obra, capacidade de empreender e pessoas que poderiam gerar emprego e riqueza dentro da própria comunidade”, destaca.

Ainda na avaliação de César, enfrentar esse desafio exige planejamento de longo prazo, com investimentos em infraestrutura, ampliação da educação técnica e profissionalizante, fortalecimento do empreendedorismo, incentivo à instalação de novos empreendimentos e maior aproximação entre o setor produtivo e as instituições de ensino.

Segundo ele, o objetivo deve ser criar condições para que os jovens possam construir uma carreira sem precisar abandonar suas raízes. "O sudeste do Tocantins possui riquezas naturais, produz, gera desenvolvimento e tem enorme potencial de crescimento. Não faz sentido que nossos jovens continuem saindo enquanto ainda faltam profissionais qualificados em setores importantes da própria economia regional. Precisamos aproximar a formação das necessidades do mercado e criar oportunidades para que essa riqueza também se transforme em qualidade de vida para quem nasceu aqui”, comenta.

O pré-candidato afirma que investir na juventude significa investir diretamente no futuro dos municípios. Para ele, garantir acesso à qualificação, estimular a geração de empregos e fortalecer a economia regional são medidas capazes de reduzir o êxodo da população jovem e criar um ambiente mais favorável para novos investimentos. "Nenhum jovem deveria ser obrigado a deixar sua família, sua história e sua cidade porque ali não conseguiu encontrar uma oportunidade. Partir deve ser uma escolha, nunca a única alternativa. O desenvolvimento só será completo quando nossos jovens poderem olhar para o lugar onde nasceram e enxergar ali um futuro possível”, conclui.