O grande laboratório:
"Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo" do filósofo George Santayana em sua obra The Life of Reason (1905) tem cada vez mais aplicação prática especialmente no contexto atual.
Vamos pegar como exemplo uma situação bem recente: a última campanha a prefeito na capital. Tivemos uma candidata de oposição fortíssima financeiramente falando, além de contar com apoio de senadores, deputados federais e boa parte da bancada estadual, uma das melhores agências de publicidade do Estado (certamente a com maior know-how em campanhas políticas), contra o candidato de situação, com apoio da máquina pública, além de bem conceituado, conhecido pela população e sem maculas em seu passado. E o candidato nanico, quase sem recursos financeiros, contando praticamente com um sobrenome de peso, mas com ares de passado distante.
Deu no que deu: O método, a ideia, o conceito, ganharam da força bruta. Digo isso em termos de campanha eleitoral apenas.
Para muitos políticos tradicionais, a ficha ainda não caiu sobre como a lógica do voto mudou. O que antes era decidido por grandes coalizões, tempo de TV e cabos eleitorais físicos, agora passa por uma dinâmica de rede social que eles muitas vezes tentam "comprar" em vez de "conquistar".
Existem questões cruciais que muitos veteranos ainda ignoram ou subestimam:
Comunidade é maior que Audiência
O político tradicional está acostumado a falar para as pessoas (unilateral). Nas redes, o eleitor quer fazer parte de. Os novos líderes criam comunidades digitais onde o seguidor se sente um soldado da causa. O político que apenas posta "agenda do dia" ou "santinho digital" é ignorado pelo algoritmo.
A morte do "Posto Ipiranga"
Antigamente, o eleitor esperava o telejornal ou a opinião de um grande especialista. Hoje, a confiança é horizontal. O eleitor acredita mais no influenciador de nicho ou no vídeo do WhatsApp de um amigo do que na propaganda oficial. Políticos que tentam desmentir críticas apenas com notas oficiais formais perdem a batalha para a narrativa visual e rápida.
Essas são apenas duas questões a serem ponderadas para a eleição que está bem próxima. A campanha eleitora de 2026 pode vir a surpreender muita gente, mas caso o efeito de “bola curva” de 2024 se repita, cabe aí um estudo de caso bem atento para ocasiões futuras.









