Violência contra a mulher desafia rede de proteção no Tocantins

Com alta de 50% nas tentativas de feminicídio, César de Lavandeira defende atendimento mais próximo das vítimas e políticas de prevenção nos municípios

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O Tocantins chegou ao Agosto Lilás de 2026 com um dado que reforça a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), no primeiro semestre o Estado registrou 33 tentativas de feminicídio, contra 22 no mesmo período do ano passado, aumento de 50%. Ao todo, foram 37 ocorrências entre tentativas e crimes consumados. Quatro mulheres foram mortas em razão do gênero entre janeiro e junho.

A dimensão do problema também aparece na procura por proteção judicial. Em 2025, o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJ-TO) registrou 5.733 decisões de medidas protetivas para mulheres vítimas de violência. Nos dois primeiros meses de 2026, outras 850 medidas foram deferidas, alta de 7,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O número equivale a cerca de 14 decisões por dia no início deste ano.

Os indicadores dão dimensão ao desafio do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Mais do que estimular a denúncia, o período também coloca em discussão a capacidade do poder público de proteger a vítima depois que ela decide romper o ciclo de violência.

Para o candidato a deputado estadual César de Lavandeira, o enfrentamento exige uma rede permanente, capaz de alcançar municípios menores e comunidades mais distantes dos grandes centros. “Não basta incentivar uma mulher a denunciar se, depois disso, ela encontra dificuldade para acessar atendimento psicológico, assistência jurídica ou condições para reconstruir a própria vida. O Estado precisa estar presente antes que a violência chegue ao feminicídio”, afirma César.

Rede de proteção

No sul do Estado, Gurupi recebeu a primeira Casa da Mulher Tocantinense, criada para atender mulheres do município e de localidades próximas. O espaço reúne acolhimento, orientação e serviços de apoio, com profissionais como psicólogos e assistentes sociais, além da articulação com instituições que integram a rede de atendimento. A estrutura também prevê acolhimento temporário para vítimas que precisam deixar a própria residência.

Também na visão de César, a implantação da unidade representa um avanço, mas também evidencia a necessidade de ampliar a presença dos serviços especializados pelo território tocantinense. “Gurupi mostra a importância de reunir acolhimento e diferentes serviços em um mesmo espaço. O desafio agora é levar essa estrutura para outros pontos do Estado. Distância não pode ser uma barreira para quem precisa pedir ajuda”, diz.

Dentro dessa perspectiva, o candidato propõe que a elaboração do novo plano de governo contemple uma Casa da Mulher Tocantinense no Sudeste do Estado, com estrutura para atender os municípios desse território. A iniciativa, em sua opinião, reduzirá a distância entre as vítimas e os serviços especializados, especialmente em localidades onde a oferta de atendimento ainda é limitada. “O Sudeste também precisa estar no centro dessa discussão. Queremos que o novo plano de governo inclua uma Casa da Mulher Tocantinense para atender esse território. Uma mulher de Arraias, Dianópolis, Taguatinga ou de qualquer outro município precisa encontrar apoio perto de onde vive, sem percorrer grandes distâncias justamente em um momento de vulnerabilidade”, afirma.

Além da ampliação da rede, o candidato considera que o combate à violência doméstica precisa estar associado a políticas de autonomia econômica, sobretudo para mulheres que dependem financeiramente do agressor. Qualificação profissional, acesso ao emprego e incentivo ao empreendedorismo, segundo ele, podem ampliar as condições para que vítimas consigam romper relações abusivas com maior segurança. “A dependência financeira pode manter uma mulher presa ao agressor. Por isso, enfrentar a violência também significa criar condições para que ela tenha renda, oportunidade e liberdade para decidir sobre a própria vida”, pontua César.

Na avaliação do candidato, o Legislativo também tem responsabilidade nesse processo, tanto na fiscalização das políticas existentes quanto na discussão dos recursos destinados à segurança pública, saúde, assistência social e atendimento jurídico. “O Agosto Lilás chama atenção para o problema, mas essa responsabilidade não termina em agosto. A política pública precisa funcionar durante todo o ano e chegar à mulher antes que uma ameaça se transforme em mais um número nas estatísticas”, conclui.